18 de Dezembro de 2009
16 de Dezembro de 2009
Um Centro Histórico para Todos? Não...para Alguns!
Há notícias que roçam o ridículo. E há muitas, infelizmente, por esse país fora. No entanto, foco-me numa muito específica - esta. Porque o faço? Por um lado, porque esta notícia online, que tem por base um texto saído no Comércio de Guimarães, é paradigmática do que é fazer mau jornalismo, levando inclusive ao que alguns teóricos denominam de "pânico moral", e, por outro lado, por ficar aqui tão perto, no seio da cidade de Guimarães.
Segundo esta notícia, algumas zonas do centro histórico de Guimarães estarão a ser habitadas por pessoas, "alegadamente toxicodependentes", que contribuem para a "insegurança, intranquilidade e movimentos suspeitos de tráfico de droga". A saber: "Ruas Ega Moniz, Ourado e João de Melo".
Para não entrar em considerações de muito desenvolvimento, até porque o espaço torna-se reduzido para comentar extensivamente tudo o que se poderia enumerar nesta peça (que até nem é muito longa, apesar dos vastos atropelos que comete), traço aqui alguns pontos que julgo serem relevantes:
1) O jornalista, pescando o que refere o presidente da junta de freguesia, faz claramente uma associação "valorativa" entre as pessoas "alegadamente toxicodependentes" e o efeito que estas provocam no espaço. Portanto, há pessoas que dignificam e outras que degradam o espaço em que vivem. Será? A quem pertence esta moral?
2) Já não fosse isso um erro tremendo, devemos lembrar-nos que antigamente, numa passado não muito distante, os bares do centro histórico também eram supostamente mal frequentados. E, afinal, quem eram essas pessoas? Supostamente, seriam também toxicodependentes... Eram?
3) A existir realmente uma degradação dessas zonas do centro histórico - que, enquanto habitante do centro histórico numa zona não muito longe das que referem, duvido - não nos podemos esquecer, igualmente, que a Rua Egas Moniz já teve alturas bem mais complicadas na sua história. Alguém se lembra de como era essa rua há 10 ou 15 anos atrás? Aliás, muito do estigma da rua ainda não foi ultrapassado. Estou certa que a rua teria outra dinâmica se não tivesse todas as complicações que teve no passado.
4) Para uma peça jornalística destas, não se compreende como a única fonte seja o presidente da junta de freguesia. Que, ainda por cima, refere a cozinha económica como um agravante desta situação. Não estaremos perante uma situação de criminalização da pobreza? Não pode haver espaços dedicados aos grupos sociais mais excluídos no coração da cidade? Porquê? "Sujam" a cidade? Ai, não! Qual era o termo? Degradam a cidade.
5) Depois, e para não me alongar muito mais, a quem serve esta notícia? Porque pegar nisto agora, altura em que se projectam algumas mudanças na cidade? Não quererão usar esses espaços para "gentes mais dignas"? Ou até deslocar a cozinha económica para outra parte? Dá que pensar...
Portanto, esta peça "jornalística" não faz mais do que, sendo mal fundamentada e desenvolvida, mostrar um conjunto de indivíduos como sendo uma ameaça aos "valores" da dita sociedade vimaranense. E quem são esses indivíduos? Os que estão numa situação de exclusão social e que não têm capacidade de responder perante ataques como estes. Qual o caminho? O da musealização do centro histórico e, no caso de haver habitação, que seja de gente "digna", "limpa" e "ordenada". Esta peça está cheia de ideias estereotipadas e que insultam a inteligência das pessoas que realmente se preocupam com o bem-estar dos vimaranenses.
Segundo esta notícia, algumas zonas do centro histórico de Guimarães estarão a ser habitadas por pessoas, "alegadamente toxicodependentes", que contribuem para a "insegurança, intranquilidade e movimentos suspeitos de tráfico de droga". A saber: "Ruas Ega Moniz, Ourado e João de Melo".
Para não entrar em considerações de muito desenvolvimento, até porque o espaço torna-se reduzido para comentar extensivamente tudo o que se poderia enumerar nesta peça (que até nem é muito longa, apesar dos vastos atropelos que comete), traço aqui alguns pontos que julgo serem relevantes:
1) O jornalista, pescando o que refere o presidente da junta de freguesia, faz claramente uma associação "valorativa" entre as pessoas "alegadamente toxicodependentes" e o efeito que estas provocam no espaço. Portanto, há pessoas que dignificam e outras que degradam o espaço em que vivem. Será? A quem pertence esta moral?
2) Já não fosse isso um erro tremendo, devemos lembrar-nos que antigamente, numa passado não muito distante, os bares do centro histórico também eram supostamente mal frequentados. E, afinal, quem eram essas pessoas? Supostamente, seriam também toxicodependentes... Eram?
3) A existir realmente uma degradação dessas zonas do centro histórico - que, enquanto habitante do centro histórico numa zona não muito longe das que referem, duvido - não nos podemos esquecer, igualmente, que a Rua Egas Moniz já teve alturas bem mais complicadas na sua história. Alguém se lembra de como era essa rua há 10 ou 15 anos atrás? Aliás, muito do estigma da rua ainda não foi ultrapassado. Estou certa que a rua teria outra dinâmica se não tivesse todas as complicações que teve no passado.
4) Para uma peça jornalística destas, não se compreende como a única fonte seja o presidente da junta de freguesia. Que, ainda por cima, refere a cozinha económica como um agravante desta situação. Não estaremos perante uma situação de criminalização da pobreza? Não pode haver espaços dedicados aos grupos sociais mais excluídos no coração da cidade? Porquê? "Sujam" a cidade? Ai, não! Qual era o termo? Degradam a cidade.
5) Depois, e para não me alongar muito mais, a quem serve esta notícia? Porque pegar nisto agora, altura em que se projectam algumas mudanças na cidade? Não quererão usar esses espaços para "gentes mais dignas"? Ou até deslocar a cozinha económica para outra parte? Dá que pensar...
Portanto, esta peça "jornalística" não faz mais do que, sendo mal fundamentada e desenvolvida, mostrar um conjunto de indivíduos como sendo uma ameaça aos "valores" da dita sociedade vimaranense. E quem são esses indivíduos? Os que estão numa situação de exclusão social e que não têm capacidade de responder perante ataques como estes. Qual o caminho? O da musealização do centro histórico e, no caso de haver habitação, que seja de gente "digna", "limpa" e "ordenada". Esta peça está cheia de ideias estereotipadas e que insultam a inteligência das pessoas que realmente se preocupam com o bem-estar dos vimaranenses.
11 de Dezembro de 2009
8 de Dezembro de 2009
Tertúlia Nicolina
No primeiro dia depois do término das Nicolinas, conversa-se sobre a venerada festa dos Estudantes, as Nicolinas. É hoje, às 17H00, no Fórum FNAC, no Guimarães Shopping – com as participações de António Amaro das Neves e Miguel Bandeira.
António Amaro das Neves e Miguel Bandeira são duas pessoas que não se têm pronunciado sobre as festas Nicolinas, portanto fogem à ‘rotina’ das mesmas caras que falam sempre sobre o mesmo assunto. Amaro das Neves, um homem de História, que para além da responsabilidade da presidência de uma das mais prestigiadas instituições vimaranenses é um homem de intervenção pública sobre o que a Guimarães diz respeito, e Miguel Bandeira, um homem da Geografia, professor na Universidade do Minho (do Instituto de Ciências Sociais, em Guimarães) tem um olhar permanente sobre as questões de Guimarães. São duas pessoas que, com toda a certeza, permitirão, muito mais do que apresentar novos olhares sobre uma realidade muito importante para Guimarães.
Ao surgir para esta tertúlia a ideia “Na ressaca das Nicolinas 2009, debatemos a tradição da festa dos estudantes em Guimarães", pretende-se que, no fim das Festas dos Estudantes de Guimarães se olhe para o futuro de uma forma séria. Espera-se que com esta incursão no passado, olhando para as realidades que fazem o presente das festas, seja possível manter as festas nicolinas com futuro.
António Amaro das Neves e Miguel Bandeira são duas pessoas que não se têm pronunciado sobre as festas Nicolinas, portanto fogem à ‘rotina’ das mesmas caras que falam sempre sobre o mesmo assunto. Amaro das Neves, um homem de História, que para além da responsabilidade da presidência de uma das mais prestigiadas instituições vimaranenses é um homem de intervenção pública sobre o que a Guimarães diz respeito, e Miguel Bandeira, um homem da Geografia, professor na Universidade do Minho (do Instituto de Ciências Sociais, em Guimarães) tem um olhar permanente sobre as questões de Guimarães. São duas pessoas que, com toda a certeza, permitirão, muito mais do que apresentar novos olhares sobre uma realidade muito importante para Guimarães.
Ao surgir para esta tertúlia a ideia “Na ressaca das Nicolinas 2009, debatemos a tradição da festa dos estudantes em Guimarães", pretende-se que, no fim das Festas dos Estudantes de Guimarães se olhe para o futuro de uma forma séria. Espera-se que com esta incursão no passado, olhando para as realidades que fazem o presente das festas, seja possível manter as festas nicolinas com futuro.
3 de Dezembro de 2009
SMS
Hoje, ao final da tarde, pelas 18 horas, a Sociedade Martins Sarmento promove a apresentação do segundo número da colecção de minimis -Sherlock Holmes no Porto - e da planta De Guimarães (1569), no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento.

2 de Dezembro de 2009
Pour faire le portrait d'un oiseau
peindre d’abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d’utile
pour l’oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l’arbre
sans rien dire
sans bouger
parfois l’oiseau arrive vite
mais il peut aussi mettre de longues années
avant de se décider
ne pas se décourager
attendre
attendre s’il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l’arrivée de l’oiseau
n’ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
quand l’oiseau arrive
s’il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l’oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l’oiseau
faire ensuite le portrait de l’arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l’oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l’herbe dans la chaleur de l’été
et puis attendre que l’oiseau se décide à chanter
si l’oiseau ne chante pas
c’est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s’il chante c’est bon signe
signe que vous pouvez signer
alors vous arrachez tout doucment
une des plumes de l’oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
poema de Jacques Prévert
Sugestão de Albertino Gonçalves, na apresentação do seu livro Vertingens: Para uma Sociologia da Preversidade.
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d’utile
pour l’oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l’arbre
sans rien dire
sans bouger
parfois l’oiseau arrive vite
mais il peut aussi mettre de longues années
avant de se décider
ne pas se décourager
attendre
attendre s’il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l’arrivée de l’oiseau
n’ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
quand l’oiseau arrive
s’il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l’oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l’oiseau
faire ensuite le portrait de l’arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l’oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l’herbe dans la chaleur de l’été
et puis attendre que l’oiseau se décide à chanter
si l’oiseau ne chante pas
c’est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s’il chante c’est bon signe
signe que vous pouvez signer
alors vous arrachez tout doucment
une des plumes de l’oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
poema de Jacques Prévert
Sugestão de Albertino Gonçalves, na apresentação do seu livro Vertingens: Para uma Sociologia da Preversidade.
25 de Novembro de 2009
Francité
Ministério da Imigração, da Integração, da Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário é o nome completo da pasta de Besson, um ex-socialista que se tornou num homem-chave da galáxia de Sarkozy (escrevia em Outubro a revista L"Express). Coube-lhe lançar o debate sobre a identidade nacional, que se tornou uma bandeira de Sarkozy - muito útil para conquistar eleitores à direita do seu partido, a UMP, nomeadamente à Frente Nacional de Marine Le Pen. Tanto assim que lhe consagrou um ministério, num país construído na tradição do acolhimento de imigrantes.
"A criação de um Ministério da Identidade Nacional lançou na cena pública palavras que designavam o estrangeiro separado de um "nós" nacional. Foram palavras de um misterioso sector do Governo de que não se via bem a função, submerso em tantos símbolos: "identidade" como causa nacional, "integração" como outra palavra de exclusão, "imigração" como problema identitário", escreveu no "Le Monde" Michel Agier, da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais, especialista em temas relacionados com refugiados.
O ambiente nos media, percebe-se bem, não é favorável a este debate, que é recusado pela esquerda. Mas muitos intelectuais e académicos têm oferecido um contributo que passa mais por arrasar os motivos do debate do que por oferecer ideias para definir a "francidade" ("francité", como se diz em vários textos publicados, num tom mais ou menos jocoso).
Ver artigo completo.
"A criação de um Ministério da Identidade Nacional lançou na cena pública palavras que designavam o estrangeiro separado de um "nós" nacional. Foram palavras de um misterioso sector do Governo de que não se via bem a função, submerso em tantos símbolos: "identidade" como causa nacional, "integração" como outra palavra de exclusão, "imigração" como problema identitário", escreveu no "Le Monde" Michel Agier, da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais, especialista em temas relacionados com refugiados.
O ambiente nos media, percebe-se bem, não é favorável a este debate, que é recusado pela esquerda. Mas muitos intelectuais e académicos têm oferecido um contributo que passa mais por arrasar os motivos do debate do que por oferecer ideias para definir a "francidade" ("francité", como se diz em vários textos publicados, num tom mais ou menos jocoso).
Ver artigo completo.
21 de Novembro de 2009
20 de Novembro de 2009
What if?
What if the rope will break
And if the knife's too blunt
And what if the roof's not high enough
And where do i get a gun
What if the pool's too shallow
And if the pill's too fused
And what if the trains already passed
And off the gas I pucked
I might as well continue
I might as well continue
"What if", de Jay Jay Johanson
And if the knife's too blunt
And what if the roof's not high enough
And where do i get a gun
What if the pool's too shallow
And if the pill's too fused
And what if the trains already passed
And off the gas I pucked
I might as well continue
I might as well continue
"What if", de Jay Jay Johanson
15 de Novembro de 2009
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